Sobre a demissão dos Engenheiros em 2017


Recentemente a Revista Exame fez uma matéria alarmada com a quantidade de engenheiros demitidos. Eles simplesmente lideram o setor de demissões, quase somando fácil, os lugares seguintes: contadores e advogados. (fonte: https://exame.abril.com.br/carreira/engenheiros-lideram-ranking-de-profissionais-qualificados-mais-demitidos/)

Quando falamos de manufatura 4.0, eu falo disso todo mês, mais de uma vez ao mês, o que mais ouço, é que o "isso é algo do futuro", "algo que está por chegar". E a verdade é que já chegou, já está entre nós. Menos no Brasil, ao menos na indústria, mas seus braços já chegaram também ao Brasil. E me explico.

A Manufatura 4.0 não contempla apenas a integração das coisas, isso é coisa do PLM, Product Life-Cycle Management, que integra CAD, CAM, CAE, mas também o PDM, CRM, SCM e até o ERP (à saber: Desenho Auxiliado por computador, manufatura auxiliada por computador, engenharia auxiliada por computador, gestão de dados dos produtos, software de relacionamento com cliente, gestão da cadeia de fornecedores, e gestão corporativa de relações). A manufatura 4.0 trata realmente do uso pesado de sensores e softwares. Softwares que vão além das siglas acima e se apresentam hoje como Inteligência Artificial, Machine Learning, e quando interagem com os sensores, Internet of Things, a tal, internet das coisas.

Com o advento dos softwares de gestão, a necessidade de profissionais com familiaridade com números diminui, pois a responsabilidade de ter dados bem inseridos, responsavelmente inseridos no sistema, e necessidade de uma ação rápida ou tomada de decisão, caiam sobre o analista. Porém, com os avanços frequentes da tecnologia, cada vez mais, o operador está se tornando um adicionador de dados no sistema, e é o sistema quem toma as decisões, e até questiona se os dados que ele está recebendo estão corretos.

Logo, o Brasil, que sempre teve pouca indústria própria, e uma dependência enorme de multinacionais, levou os engenheiros a ficarem satisfeitos com em roubar os cargos de administradores e gestões. Bancos, Instituições Financeiras, Corretoras de valores, todos empregam ou empregavam engenheiros, pela habilidade com números e facilidade em tomar reações. Pois são estes mesmos mercados que estão se modernizando mais rápido que a própria indústria de verdade, aquela que produz, e tornando os engenheiros, obsoletos.

Basta ver na matéria, que mesmo dando enfoque à dois casos de engenharia civil com muito destaque, os cargos do ranking do desemprego que seguem, são os mesmos que os engenheiros estavam roubando: Gestores, Advogados, Contadores... Com o advento dos sistemas eletrônicos do próprio governo, nota fiscal eletrônica, imposto de renda, DAS, DARF, cada vez mais, estes cargos que só tinham a função de fazer um cálculo certo e impedir um processo ao seu cliente, vão se perdendo. Hoje, ao informar no software os valores necessários, tudo é calculado rápida e facilmente.

Infelizmente isso não é um sinal do Brasil, mas do mundo. E há uma solução? Claro que há, mas ela reside no longo prazo, ao ensinarmos nas escolas, a não dar mais formação aos profissionais, mas ensiná-los a se moldar onde forem precisos. Ao invés do sistema tradicional de formar mão de obra, precisamos formar inventores, criadores, capazes de criarem localmente, os produtos do amanhã, fortalecer a indústria nacional, através de startups e de empresas nacionais de médio e grande porte, e também fortalecer o círculo virtuoso, do qual já falei por aqui...

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