10/31/2012

Editorial, meu primeiro contato com impressoras 3D

De 1998 a 2000 eu trabalhei numa empresa de tratores florestais, para colheita de eucaliptos, para, basicamente, a indústria de celulose. Mas o trabalho no escritório era estenuante e rapidamente eu me vi distante da minha formação na FATEC-SP como tecnólogo em projetos mecânicos, visto que tudo que eu fazia no escritório eram bancos de dados em ACCESS, algumas automações em VisualBasic (o 6.0 ainda!) e, quando a empresa foi adquirida pela John Deere, fiz todo o treinamento no software de ERP chamado BAAN. E nunca mais tive um final de semana livre.

A migração e o processo de suporte, por um ano, me fez trancar a faculdade e esquecer o que era vida pessoal. Mas o mais incômodo na época, era que me sentia mais uma engrenagem no processo que o motor, diferente de quando eu desenvolvia os bancos em ACCESS, ser uma peça na implantação do BAAN era regrado, chato e demorado. Fui buscar outro emprego então e encontrei, num anúncio de jornal a vaga na Sisgraph, sem descrição da função, e lá fui eu conferir.

Fiz a entrevista padrão e então a pessoa que me contratava me pergunta, você sabe o que é uma impressora 3D? E eu falei que não. Ele me conduziu a um modelo já velho da Stratasys na época, uma Genesys que utilizava cartuchos de nylon e eu falei, "honestamente, nunca vi nada parecido, mas gostaria muito de uma oportunidade de trabalhar com elas, é a coisa mais incrível que já vi!", o comentário era sincero, saído da minha alma, sem pensar. Não perguntei pagamento, benefícios, horários de trabalho, nada. Apenas pedi para trabalhar com ela e ele me contratou. Tive que ligar diversas vezes depois, perguntando sobre traje do trabalho, horários, se tinha vale alimentação, estas coisas... Mas foi a melhor coisa que fiz na vida.

Ironicamente, meu primeiro contato com impressoras 3D se deu com um modelo chamado Genesys...

Trabalhei com impressoras 3D por dois anos. Infelizmente dois anos de crise, coisa que vem se tornando corriqueira hoje em dia, mas foi o ano do atentado às torres gêmeas, a ameaça de guerra e um ano que os CAD's ainda estavam descobrindo a impressora 3D. Naquela época não eram todos que salvavam neste formato, menos ainda que conhecia a ferramenta.

Mesmo assim, ao longo destes dois anos, aprende muito, muitíssimo. Traduzi a literatura de todos os modelos. Fiz 4 palestras na USP, ou melhor, na Fundação Vanzollini, dentro na USP, para curso de pós graduação, na disciplina "Ferramentas para o Desenvolvimento de Produtos". Quanto prestígio falar para um público de pós graduantos sendo que eu estava apenas retomando a FATEC! Participei de dois congressos internacionais, sobre aplicações da impressora 3D para Manufatura Rápida e desenvolvimento de Moldes perdidos com ABS e cera e conheci todas as 12 empresas da época, que tinham impressoras 3D.

Dei um treinamento, no SENAI Mário Amato, fiz lá também minha única instalação. Fiz 200 pré vendas, mas minha primeira venda, eu já não estava mais lá, infelizmente. Conheci pessoas fantásticas que trabalham com isso até hoje e fazem parte do meu dia a dia, pois tudo que aprendi, aprendi com elas e é impossível desvincular meu conhecimento, da lembrança deles me ensinando.

Aproveito o momento deste editorial, para agradecer ao Fábio Andreotti, Wilson do Amaral Neto, o outro Wilson, Robson Galiano e toda a tropa do TI que me ajudava e ensinava.

10/30/2012

Já pensou em ganhar uma impressora 3D?


A Designoteca é uma plataforma de colaboração é uma plataforma online que conecta criadores e seus designs CAD a pessoas e empresas com máquinas de fabricação digital (Fab Houses e Fab Labs).

Com estes dizeres um dos sites mais interessantes que encontrei recentemente se define, uma plataforma de colaboração para alavancar, promover e a colaborar com o design e a impressão 3D. De criação de Henrique Monnerat e Heraldo Almeida, com colaboração de João Rocha, a empresa que hoje está ainda na encubadora de empresas COPPE/UFRJ, o serviço é novo, mas já entra com uma proposta agressiva para se posicionar no mercado, premiar com uma impressora 3D designs voltados para essa plataforma.

Tudo se dá em parceria com a Cliever Tecnologia, que premiará com uma máquina o design que for melhor votado por um corpo julgador. Bascar criar quantos arquivos .STL que você quiser e enviar para o portal deles, onde até um domínio personalizado para você, pode-se criar.

A competição iniciou em 25 de setembro, mas ainda dá tempo de enviar seus modelos, já que o envio encerra-se dia 8 de novembro, às 13 horas horário de brasília. Dia 14 será realizada a contabilização dos votos populares e dia 19 será anunciado o vencedor que levará para casa uma impressora 3D e troféus personalizados, feitos na impressora 3D, evidentemente, para os 5 designs mais populares.

Para fins de apuração, tenha em mente que os critérios avaliados serão: Capacidade de se imprimir em 3D, Funcionalidade e Estética, sem mencionar, claro, criatividade e originalidade.

Para saber como participar, acesse: http://www.designoteca.com/contests/desafio3d.

Quem quiser conhecer minha página por lá e baixar indiscriminadamente minha dock para celulares, fique à vontade: http://www.designoteca.com/designs/138

10/29/2012

Prototipagem Rápida - definições e processo



A prototipagem Rápida oferece um meio mais rápido e econômico de geração de modelos, reduzindo, desta forma, o ciclo global de desenvolvimento de produtos. A PR também assegura repetitividade da obtenção do modelo e precisão dimensional para experimental prática da peça obtida.

Ao contrário dos processos por extração de material de blocos, que comumente utilizam pequenos centros de usinagem com CNC (Controle Numérico Computadorizado), a PR permite obter modelos com cavidades internas, ocos e até mesmo peças articuladas.

A Wikipédia  define a Prototipagem Rápida, academicamente falando, como a construção de um objeto físico através de processos aditivos. A primeira técnica de prototipagem rápida a tornar-se disponível data de 1980 e foi usada para obtenção de peças modelos e protótipos.

A definição através de “processos aditivos” é importante para ressaltar que obter uma peça protótipo através de usinagem, como centros de CNC (Comando Numérico Computadorizado) ou a escultura da peça em madeira, argila (também conhecida neste meio como Clay), não configura a obtenção de protótipo rápido, ainda que o objeto assim obtido também possa atender às mesmas solicitações que um protótipo rápido, corretamente falando.

A Manufatura Aditiva é definida pela ASTM  como:
“...o processo de junção de materiais para produzir objetos à partir de dados 3D, usualmente através do empilhamento de camadas, como oposição às metodologias de extração de materiais de bloco. São seus sinônimos: Fabricação aditiva, Processos Aditivos, Técnicas Aditivas, manufatura por adição de camadas, Manufatura de Camadas ou fabricação de forma livre”. 
O termo Manufatura Aditiva descreve tecnologias que podem ser usadas em qualquer momento do ciclo de vida de um produto desde pré-produções (isto é, prototipagem rápida), até produções em larga escala (conhecida como Manufatura Rápida) e até mesmo para ferramental e customizações pós-produção.
O uso da Manufatura aditiva como Prototipagem Rápida inicia-se de um modelo 3D, obtido geralmente através de um software CAD (Computer Aidded Design ou Projeto Auxiliado por Computador), ou um software de modelamento para animações. O modelo é então transformado em diversas seções horizontais denominadas camadas, cujas espessuras variam conforme a  tecnologia de impressão que for aplicada, até o modelo ser completamente transformado em camadas empilhadas. Este processo é denominado em inglês de WYSISWYG  (pronuncia-se WIZ-EE-WIG, ou uíz-í-uig) que significa “O que você vê é o que você obtém” (what you see is what you get).

A empresa 3D Systems é pioneira no campo de impressoras 3D, desenvolvendo os primeiros equipamentos para laboratórios em 1984 e comercializando impressoras 3D desde 1988. Até 1992 a 3D Systems era detentora de 90% do mercado, e foi ela também quem batizou tanto a extensão padrão do arquivo, o STL, como a tecnologia, de estereolitografia (Stereo = tridimensional e Litografia = impressão em superfícies), contudo, hoje mais de 30 companhias ao redor do mundo possuem suas próprias tecnologias patenteadas, cada qual com vantagens e desvantagens. Aproximadamente 20 destas tecnologias são derivadas da estereolitografia.

As tecnologias mais conhecidas hoje são, com suas respectivas desenvolvedoras e materiais de trabalho:


Algo que se deve dizer, antes de olharmos cada tecnologia com detalhe, é que muitas tecnologias baseiam-se no uso de dois materiais, um principal, que forma o modelo impresso, e um secundário, que é extraído e descartado, ou reciclado, após o seu uso. Isto se deve pela natureza do processo de impressão 3D em camadas, como tratado mais cedo neste livro.

Para fins práticos, imagine que vamos reproduzir como peça 3D, algo equivalente ao arco de uma porta, em U, mas de ponta cabeça, com o arco par acima. O processo de impressão irá depositar o material de cada parede deste U até chegar na parte superior, onde será necessário que exista um segundo plano para a impressão, do contrário, o material liquefeito não terá sustentação para poder secar e adquirir a forma desejada. Este segundo material é chamado, apropriadamente, de material de suporte. Ficará mais simples compreender a necessidade e o funcionamento deste segundo material, ao observar os esquemas de impressão das tecnologias.

Para saber mais, compre o livro!

10/26/2012

Fast Fashion - Impressora 3D na moda


Já falamos sobre como as impressoras 3D têm ajudado a moda, mas todo um novo conceito vem sendo desenvolvido por impressoras 3D neste mercado, o chamado FastFashion, onde o design criativo pode materializar suas idéias praticamente na hora.

Uma aplicação desta tecnologia foi feita em 10 de fevereiro, no evento Asher Levine's Fall2012, in Nova York, onde os óculos que estrapolam os grandes aros Geeks do momento foram feitos no evento, durante o show!

O famoso site Technobuffalo realizou uma entrevista com um dos criadores da MakerBot em pleno evento, que você pode conferir abaixo (em inglês):


10/25/2012

Tablet Surface da Microsoft, impresso em 3D


Recentemente, para provar a resistência do novo brinquedo da Microsoft, o Tablet Surface, o presidente da divisão do equipamento resolveu utilizá-lo como... uma prancha de skate! Na matéria, originalmente publicada pela revista Wired (http://www.wired.com/gadgetlab/2012/10/surface-skateboard/), Steve Sinofsky decidiu provar que seu produto está longe do ordinário.

Com suas 10,6" o tablet era grande o bastante para meramente os pés do presidente da divisão, mas foi o bastante para convencer o mundo, ao postar as fotos em seu twitter pessoal, de que o aparelho aguenta o tranco. O tablet que já tem sua versão de menor capacidade esgotado, com espera de até 2 meses, antes mesmo de chegar ao grande mercado, pode parecer ter sua resistência extrema como obra do acaso, mas cada detalhe do projeto foi pensado para que ele fosse resistente à tombos, falha da qual sofrem seus concorrentes com Android ou iOS, e para assegurar esta resistência, o aparelho não foi apenas largamente testado, como também foi prototipado pela Objet, empresa líder em impressão 3D.

Confira no vídeo abaixo, como foram os testes e a impressão 3D do aparelho:

10/23/2012

Prototipagem Rápida e Prototipagem... Lenta?



A prototipagem convencional está corretamente associada à arte. Cada modelo realizado tem sua qualidade diretamente derivada da qualidade do modelador, um artista, como da mesma forma, é muito difícil obter duas reproduções idênticas, ainda que esta tenha sido a técnica realizada por anos e ainda é praticada não só no Brasil, mas no mundo. Com o advento da Prototipagem Rápida, este processo também passou a ser conhecido como Prototipagem Lenta.

A principal vantagem deste método está no baixo custo em implementos, não há máquina envolvida, o trabalho não está sujeito à precisão de um software, justamente por ser totalmente artesanal. Outras vantagens são: a liberdade completa de formas e complexidade geométricas, enfim, liberdade para a criação.

Os materiais possíveis para a prototipagem convencional são: argila (chamada de Clay neste meio), Isopor, madeira e todos os materiais passíveis de serem modelados ou esculpidos.

Suas principais desvantagens, como já citado, são: demanda semanas ou meses, de acordo com a complexidade da geometria; dificuldade em obter superfícies complexas e a qualidade da fabricação depende da habilidade do modelador.

Leia também:

10/22/2012

Impressora 3D & Aplicativos móveis Android

Se as impressoras 3D estão na moda, então manuseá-las através de smartphones é a hipe dos hipsters! Existem diversos aplicativos para Android e iOS que permitem desde visualizar arquivos STL até controlar a impressora 3D via Bluetooth, abaixo, relaciono alguns destes aplicativos excelentes:

Este aplicativo permite através de uma conexão bluetooth acessar o painel de controle da impressora e controlar a temperatura de deposição, velocidade de deposição e movimentação. Embora desenvolvido para Impressoras FOSS RepRap, este software também pode funcionar com MakerBok Cupcake, se a mesma tiver bluetooth implementado pelo usuário.

Para fazer download: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.hermit.btreprap.free&feature=search_result

Que a MakerBot mantém o ThingVerse, já tratamos aqui, um imenso repositório de modelos 3D em STL para impressão, desde acessórios e utilidades domésticas, como pinduradores de toalhas/panelas/talheres até miniaturas de D&D e tudo que existem no intervalo entre isso. Agora, para navegar com mais comodidade em seu telefone Android, eles criara uma WebApplication dedicada, facilitando a navegação, loggin e associação de arquivos para download com seu usuário. Faça o download hoje mesmo!
https://play.google.com/store/apps/details?id=com.blogspot.marioboehmer.thingibrowse&feature=search_result

O que seria atuar como um desenvolvedor ou bureau de impressão de arquivos 3D sem poder visualizar, diante de um cliente, em sua tablet ou smartphone, na hora, aquele STL que veio por email ou que é fundamental numa reunião. A versão grátis deste poderoso visualizador já é uma ferramenta genial e uma grande mão na roda. Faça o download hoje mesmo e considere o download da versão paga do software, para se livrar dos comerciais e poder visualizar com mais agilidade os arquivos.
Para download: https://play.google.com/store/apps/details?id=barry.stlviewer2&feature=search_result#?t=W251bGwsMSwxLDEsImJhcnJ5LnN0bHZpZXdlcjIiXQ..

10/19/2012

Impressoras 3D e a Moda


Se as impressoras 3D vêem provando sua utilidade através da indústria automotiva/mecânica desde o início das eras, como falei em meu primeiro texto, outra indústria extremamente dinâmica que vem se beneficiando das impressoras 3D é a indústria da moda e de calçados.

Realizar construções dinâmicas dos sonhos mais loucos dos designers mais arrojados e validar a "construbilidade" dos objetos, já colocá-los na passarela imediatamente e testar a reação de potenciais compradores é algo sensacional. Encontrar depoimentos destes designers, tratando a impressora como uma de suas mais novas fundamental ferramenta é incrível, mas realmente fantástico é ver o que eles estão fazendo com estas máquinas.

O Bikini N12 é a primeira peça de vestuário pronta para usar a ser criada em uma destas máquinas, totalmente articulada. Todos seus componentes, incluindo o fecho, são feitos na impressora 3D e impressos de uma só vez, sem montagem sem custura alguma!

N12 é o nome do material que foi utilizado, uma liga de Nylon 12. Este Nylon sólido é criado através de impressão no processo SLS (acrônimo para Sinterização por Laser Seletivo). Este material é conhecido por ser branco, sólido e flexível, dada que sua flexibilidade o permite esticar e dobrar em diversos ângulos sem fadigar o material. Afinal, quem gostaria de ficar pelado por que sua peça subitamente quebrou? O mais incrível? Nas regiões mais finas o material possui apenas 0,7 mm de espessura! Para um biquíni, o Nylon se prova um material perfeito, por ser aprova de água e incrivelmente confortável de se utilizar, mesmo molhado.

O design do biquíni basicamente reflete a beleza intrincada da impressão 3D, ao mesmo tempo que sua superfície é desafiadora ao criar uma superfície tão fina e flexível à partir de Nylon. Milhares de pequenos círculos estão conectador através de uma fina malha de nylon e o design, a composição criada com os padrões circulares, foi obtida através de um software derivacional, de acordo com a curvacidade da face onde ele seria colocado, desta forma o design estético foi totalmente originário do design estrutural.

Fonte da notícia: http://www.continuumfashion.com/N12.html


N12.bikini - Intro Video from Continuum Fashion on Vimeo.

10/18/2012

Afinal, como funciona uma impressora 3D?

O jornal Estado de São Paulo publicou no dia 8 de outubro um fantástico infográfico sobre como funciona a Impressora 3D, quem puder conferir, recomendo intensamente:

Basicamente, assim como no papel você deve eleger a posição de impressão entre retrato ou paisagem, a relação entre a impressão do texto e a posição do papel, na impressão 3D, com o advento da terceira dimensão, novos ângulos de impressão são criados. 

Um processo de impressão 3D inicia-se através de um arquivo STL 3D, que deve ser posicionado na plataforma de impressão, na posição que se deseja imprimir. Uma vez que a impressão é realizada através da deposição de camadas, a posição de impressão impacta diretamente na resistência e aparência da peça.

Peças cilíndricas, por exemplo, ficam com melhor acabamento se realizadas "em pé", isto é, o cilindo posicionado como se fosse uma coluna, sobre a base de impressão. Porém, apesar do melhor acabamento da superfície externa, a peça terá baixa resistência à tração, visto que isto poderia causar o descolamento das camadas. Se a mesma peça for posicionada deitada, como uma coluna caída sobre o piso, a peça terá uma excelente resistência mecânica na tração e compressão, mas terá um acabamento feio, visto que as camadas depositadas formarão uma espécie de escada na superfície circular do produto. Veja a ilustração abaixo, para compreender melhor:

Para observar o processo do início ao fim, acompanhe o vídeo desenvolvido pela Stratasys, ilustrando o processo desde o fatiamento do modelo, deposição das camadas e a impressão 3D em sí, num vídeo acelerado. Observe que o modelo, por formar uma espécie de T, com duas hastes que em teoria seriam depositadas no espaço, e cairiam, requerem um segundo material, chamado material de suporte, para auxiliar na construção. Como um edifício sendo construído, que cada andar serve de sustentação ao piso superior, em quanto o cimento seca, e diversas palafitas de madeira são utilizadas para "dividir" esta sustentação.





10/17/2012

Impressora FOSS, um dia você tera uma

Meu artigo, publicado originalmente no blog: http://sejalivre.org/impressora-3d-foss-um-dia-voce-vai-ter-uma/



Na minha última coluna, eu falei sobre o FOSS, ou Free Open Source System. Um FOSS é a transposição da filosofia hacker, do mundo virtual e de programas, para criar entidades físicas, equipamentos e sistemas com filosofias abertas. Mas qual a aplicação prática, real, desta filosofia.

Muito embora já tenhamos controladores e circuitos para automação de tarefas, como o Arduíno que atendem aos requisitos de serem Open-Source e acessíveis, creio que uma das aplicações mais fantásticas do passado seja através das impressoras 3D, mas antes de tudo, você sabe o que é uma impressora 3D?

Uma impressora 3D é, como o próprio nome diz, uma impressora capaz de reproduzir objetos físicos 3D à partir de qualquer modelagem realizada em softwares CAD (Computer Aided Drawing, ou Desenho Auxiliado por Computador – há ainda o uso de Design para a letra D, que significa Projeto em português, e também está correta). Basicamente, ao realizar um modelo 3D num software CAD, pago ou não, o software da impressora 3D irá “fatiar” o objeto e desenhar sobre uma base rígida aquela fatia, e ao invés de usar tinta, ele usará uma camada de um terço de milímetro de plástico semiliquefeito. Ao final do desenho desta camada, uma nova é feita sobre a anterior. Como um pão Pullman, visto de pé, onde cada fatia do pão faz o desenho do pão inteiro, o objeto feito em um CAD é replicado para a realidade pelo empilhamento destas mesmas camadas.

E qual a aplicação da impressora 3D? Bom, ela nasceu na indústria automotiva, naval e aérea, onde a construção de protótipos daquilo que foi projetado era necessária para verificar a função do produto no mundo real, assim como o papel sempre aceita qualquer coisa, conceituar objetos no CAD também pode produzir objetos inexequíveis, e o protótipo serve também para verificar se a montagem do objeto é possível, se a forma do objeto é confortável e, até mesmo, apresentar o produto para um grupo de consumidores teste, antes de se fazer qualquer linha de produção, e ver a receptividade do produto. Isto impede lendas da construção mecânica, como o carro que para trocar uma lâmpada da lanterna requer elevar o bloco do motor, ou o step que é fácil de roubar, mas difícil de guardar o pneu furado em seu lugar, entre outras falhas de conceitos.

Com o tempo, a prototipagem rápida também começou a servir para novas funções, como a produção de series limitadas de peças, a chamada manufatura rápida, para produzir 10, 20 ou até 100 peças sem a necessidade de se criar ferramental e moldes caros. Também se descobriu um uso para o termoplástico ABS, material mais usado neste meio. o ABS tem a propriedade física de passar do estado sólido para o gasoso sem atravessar o estado líquido, perfeito para a criação de modelos chamados moldes perdidos, isto é, coloca-se o modelo impresso numa caixa de areia, mergulha-se metal quente sobre ele e o plástico, dissolvido, vaza pela porosidade da areia deixando em seu lugar o metal com seu formato. Este processo de fundição é responsável pela concepção de peças de geometria complexas, com grande agilidade e baixo custo, visto que a área pode ser reaproveitada a cada processo.

E, claro, a engenharia reversa, chamada no meio mecânico de benchmark, onde pode-se realizar um scanner 3D de um objeto, jogá-lo no CAD e imprimir uma cópia do produto, tudo de forma quase instantânea.

Tá, entendi, tem um monte de aplicações uma impressora 3D, mas onde entra o FOSS? Muito simples. As impressoras custam dezenas de milhares de dólares, de 19.000 dólares para ser mais preciso, os menores e mais lentos modelos, que a própria HP entre outros fabricantes vende, até centenas de milhares de dólares, como são as impressoras de grande porte e precisão. Mas a impressora 3D despertou o imaginário de milhares de pessoas ao redor do mundo, que começaram a sonhar fazer em suas próprias casas, desde miniaturas de RPG, a modelos que eles próprios produziam em casa e até peças para o uso cotidiano, como penduradores de camisas e toalhas, reparos para peças quebradas em eletrodoméstico e a barreira do preço precisava ser vencida. Foi a soma de tecnologia livre, software e hardware, que permitiu produzir impressoras 3D tão baratas quanto 1000 dólares, ou até mais baratas. E mais, na filosofia hacker, cada impressora 3D passou a ser capaz de produzir suas próprias peças plásticas, tornando-as auto-replicáveis e auto-reparáveis.

Neste meio, destacam-se a MakerBot e a RepRap. Impressoras que utilizam controladores Arduínos para movimentar a cabeça extrusora do plástico, termoplástico ABS que pode ser comprado barato em diversos lugares e o software livre que une JAVA e Python para criar o software de fatiamento, o mais famoso deles o Raplicator, cujo nome deriva das séries de Jornada nas Estrelas, e que recebe o arquivo CAD no formato STL (STereoligrafic Language), que a maioria dos CAD’s 3D é capaz de gerar e o fatia e manda os comando de movimentação para a impressora. Replicator e Skeinforge são os softwares de núcleo da tecnologia livre que barateou e está popularizando impressoras 3D, e que também podem ser adquiridos no Brasil, se quiser, através da Metamáquina, empresa 100% ligada à filosofia Open-Source, que representa, monta, vende e dá suportes às máquinas RepRap no Brasil. A filosofia Hacker está tão presente nesta empresa que até mesmo o software CAD usado por eles é Open-Source, o Blender, para ser mais preciso, que possui assombra precisão e é grátis. O Google SketchUp também é uma opção, mas eles, no Google, vendem a extensão STL de saída, que de verdade, é proprietário.

A Impressora 3D Open-Source, para diferenciar-se de milhares de patentes do mercado na hora de dar seu nome, e o nome deriva do material e processo de construção das camadas, adotou o FOSS, simples e fácil, para nomear suas impressoras, que estão se popularizando como se fosse fogo em rastilho de pólvora!

Site da Metamáquina no Brasil: http://www.metamaquina.com.br

Download do Replicator: http://replicat.org/download/

Forum de troca de arquivos 3D: http://www.thingiverse.com/

Por Emanuel Campos

10/16/2012

Hackerspace & FOSS


O processo de desconstrução de softwares, desenvolvimento de programas em códigos abertos, para que a mesma sociedade que se beneficia deles possa melhorá-los e diversas outras ações sobre programas e programação são atribuídas aos hackers. Diferente do que o imaginário e vários filmes dos anos 90 nos fizeram acreditar, hacker não é “do mal”, não é bandido. O hacker apenas defende a liberdade de alteração e motivado por uma curiosidade infinita, acessa os códigos, modifica, melhora e distribui o conhecimento, na melhor prática daquilo que o ET Bilú pediu, “busquem conhecimento”.

Mas por vezes, o mundo virtual parece demasiado distante da praticidade do dia a dia, e aquela sensação de querer fazer algo à mais impulsiona os hackers em outra direção. A de modificar também objetos e equipamentos. Não dá para dizer que isso é um processo novo, o homem desde as caldeiras de vapor pegam uma criação, desmontam, compreendem e aperfeiçoam, num processo batizado de Engenharia Reversa ou em inglês, benchmark. Os japoneses fizeram isso com as fitas VHS e os formatos dos vídeo cassetes.

Seja como for, a notação hacker para estas modificações e alterações é recente, mas o ato não. A programação em Arduino é um dos mais conhecidos processos de construção hacker atualmente. Desenvolver placas controladoras e formas de levar para o mundo físico aquilo que se faz no mundo virtual. Mas quando diversos destes hackers se unem ao redor deum laboratório, com toda aparelhagem possível, de qualidade boa ou duvidosa, este é um conceito ainda mais novo no país, o chamado Hackerspace ou HackerLab.

Hackerspace é um espaço físico no qual você pode fazer com equipamentos aquilo que os hackers fazem no mundo virtual, com softwares. Geralmente são porões, locais baratos e bem aparelhados para executar a filosofia hacker em equipamentos. São Paulo possui um chamado Garoa, num condomínio tão lindo quanto antigo chamado Savoia, de arquitetura italiana, casas de tijolinho e um pátio interno, grupos de jovens se reúnem no porão 0, um dos porões da casa, para desenvolverem e criarem coisas novas, coisas inacreditáveis, ou apenas discutirem e compartilharem o que sabem.

O Garoa, por exemplo, fundado em São Paulo, localizado na rua Vitorino Savoia do bairro de Santa Cecília, centro antigo de São Paulo, mantém na sua filosofia de só empregar softwares livres, mantém uma agenda de temas por dias, para organizar o uso do espaço e já está inclusive, cadastrado como uma associação e possui até mesmo um quadro diretivo (Conselho Manda Chuva, CMC), ocupado pelo “Chanceler Supremo” Lord DQ, “Lord Suplente” Darth Oda e demais membros. O espaço, como prega a filosofia hacker, é aberto, grátis e funciona na base do “só chegar”, embora aqueles que optem por apoiar o projeto, possam pagar uma mensalidade para ter direito a uma cópia da chave.

Rodrigo Rodrigues da Silva, um dos seus fundadores, trouxe o conceito que conheceu na Europa, e seguiu à risca a cartilha do Hackerspace, criando a pessoa jurídica, cadastrando o Garoa no portal hackerspace.org mundial e sendo um excelente anfitrião, que inclusive, mesmo atolado de trabalho e às vésperas de viajar para a FISL (Fórum Internacional do Software Livre, http://softwarelivre.org/fisl13) no Rio Grande do Sul, perdeu um tempinho para me mostrar todo o espaço com um entusiasmo único. O estêncil nas paredes, inclusive, foi ele que fez e faz…

Agora você está se perguntando, e o tal do FOSS do título? Pois bem, se um software livre criado no regimento do código aberto é chamado de Open-Source, seja o software pago ou não, o hardware criado nestes preceitos é chamado de FOSS, Free-Open-Source-System, e estes espaços já criaram os artigos mais fantásticos, mas isso é tema para uma outra coluna.

Para saber mais sobre o Garoa:

https://garoa.net.br/wiki/Garoa_Hacker_Clube:Sobre

Para conferir sua agenda permanente de eventos:

https://garoa.net.br/wiki/P%C3%A1gina_principal

Hackerspaces no mundo:

http://hackerspaces.org/wiki/List_of_Hacker_Spaces

Continuação deste artigo: http://impresso3d.blogspot.com.br/2012/10/impressora-foss-um-dia-voce-tera-uma.html

10/15/2012

Prototipagem Rápida, a tecnologia que faltava


O que isto tem a ver com automóveis? Muito simples, isto reflete uma realidade brasileira que passou e finalmente começa a voltar. Após os anos 80 ocorreu uma estagnação industrial, para em 90 tudo ficar mais “collorido”. De lá para cá, o país abandonou “as carroças”, melhorou o nível de vida, deixamos o “patinho feio” para trás em busca de novos computadores, menores, mais rápidos, enfim, melhoramos a qualidade de nossos bens de consumo. Mas isto teve um preço, as empresas encolheram seus departamentos de engenharia, as empresas nacionais fecharam, e o marido ideal para sua filha passou a ser um jogador de futebol!

Mas agora, após quase vinte anos de pura reprodução do que era criado lá fora, as empresas estão voltando a ter desenvolvimento próprio. Nós podemos ver isto muito claro na área automobilística, com o Gol da Volkswagen, com o Celta e,  indo além, com o carro conceito vencedor da feira de automóveis de Detroit, nos Estados Unidos, o Sabiá, um misto de utilitário e esporte, totalmente desenvolvido pela G.M. do Brasil. E o resultado? O futuro voltou a brilhar para a engenharia.

A categoria que passou os últimos vinte anos praticamente adaptando tecnologia exterior, pegando produtos prontos lá fora e montando-os aqui dentro, volta a focar a criação. E o melhor, desta vez estamos buscando soluções de ponta para alcançarmos as multinacionais do exterior. Exemplos claros disto podem ser visto com a LG, por exemplo, onde a matriz na China chegou a ser sustentada pela planta brasileira que, por sinal, era lider de mercado em quase todos seus segmentos.

Mas como o Brasil conseguiu mudar? O que ocorreu? É muito simples, unimos as “armas” de desenvolvimento usadas por americanos, com a insuperável vontade do brasileiro.

O CAD por sí só revolucionou a indústria, aposentou as pranchetas e trouxe os “assentos”, as workstations para a área de projetos, trazendo grande autonomia e velocidade às mesmas, como o poder de desenhar, desenvolver e corrigir imperfeições em instantes, independente se era uma grande indústria ou pequena.

Uniu-se a isto, recentemente, a tecnologia que faltava: a prototipagem rápida (PR). As indústrias grandes dispunham de laboratórios maiores, de pátios e grande mão de obra disposta a produzir, montar e desmontar um projeto, até a perfeição. As indústrias pequenas, para superar as grandes, tinham como única alternativa usar o tempo a seu favor. O sistema de PR liga os projetistas ao modelo sólido, pronto para os testes. Através de um  software próprio, a PR é capaz de fatiar um desenho 3D de qualquer CAD e depois depositar camadas de plástico, em geral ABS, gerando um modelo igual ao do desenho. Através disto, modelos que levavam dias agora ficam prontos em horas, as correções são feitas em velocidades espantosas e um produto novo é lançado mais rapidamente.

Com isto, o Brasil vem atingindo um novo patamar na indústria mundial. O engenheiro volta a ter esperança no futuro e você pode ficar mais tranqüilo quando sua filha disser que está apaixonada por um. Ele tem futuro, e ele pode ser eu!

Luiz Emanuel S. M. Campos
Originalmente publicado por mim em: http://www.cadware.com.br/emanuel.pdf

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