Por PrintFacturing: Impressora 3D barata é sinônimo de impressão ruim?


NÃO. Essa é a resposta. E definitivamente, não. Estive observando algumas características das impressoras mais baratas disponíveis no mercado brasileiro não pude deixar de notar alguns pontos fortes comuns da maioria delas.

Quando falamos de impressoras 3D de baixo custo, no Brasil, na verdade não estamos falando exatamente de impressoras baratas, mas sim nos referindo às menos caras do marcado. E digo isso porque os menores preços encontrados para impressoras 3D em terras tupiniquins beiram os 2 mil reais, e são modelos custam entre 200 e 300 dólares nas terras do tio Sam. Algumas ultrapassando a casa do 4 mil reais.

Os preços são diversos, mas uma característica é unânime: todas elas derivam de um mesmo projeto, com origem no movimento RepRap, e são, inclusive, muito parecidas fisicamente.

Observando alguns detalhes de construção e funcionamento, um ponto em especial me chamou a atenção: a maioria é do tipo “cartesianas”, com frames em MDF ou acrílico, cuja mesa avança e retrai, para frente e para trás, sempre no mesmo plano XY, enquanto o extrusor trabalha lateralmente, para a direita e para a esquerda, e também sobe no eixo Z conforme a peça impressa cresce na direção de Z.

Uma das principais vantagens deste sistema é que o plano XY em que a mesa trabalha fica a uma distância relativamente pequena da superfície onde a impressora está apoiada, e isto resulta em menos vibração com relação aos modelos cuja mesa começa lá em cima e vem descendo conforme a peça “cresce”.

Mesmo com a vibração da mesa que se movimenta para frente e para trás, esta característica é uma vantagem, e a explicação tem base nas leis da física: quanto maior é a distância entre a mesa (da física, braço), maior é a amplitude do movimento ou vibração que a impressora faz (força física conhecida como momento).

Mas aqui cabe bem duas ressalvas: para garantir que esta vantagem seja, de fato, uma vantagem (1) a superfície em que a impressora está apoiada deve ser estável, tal como uma mesa ou bancada com 4 pernas fixas e firmes, uma bancada de alvenaria ou concreto, ou qualquer outra superfície que seja estável o suficiente para não ser balançada com as mãos, e (2) os eixos da impressora devem estar devidamente limpos e lubrificados com uma pequena quantidade de “óleo de máquina” ou qualquer outro lubrificante para partes móveis recomendado pelo fabricante.

Fora isto, um outro fator confere vantagem para as impressoras de menor custo: elas utilizam, em geral, o sistema “direct drive”, em que o “motorzinho”que puxa e empurra o filamento fica instalado logo acima do extrusor. Tal fato é vantagem com relação ao sistema “bowden”, que é aquele em que o motorzinho fica atrás da impressora, e conduz o filamento através de um “tubinho” de material antiaderente, seja ele teflon ou qualquer outro. Esta vantagem consiste no fato de que a precisão do movimento de retração da impressora é maior quanto mais perto o stepper (motorzinho) fica do extrusor, resultando em menos “blobs”e “cabelinhos” na impressão. Além do mais, o “direct driver” oferece uma facilidade muito maior ao se trabalhar com filamentos flexíveis, que pode se tornar uma tarefa impossível em uma impressora com sistema “bowden”, dependendo da composição do filamento flexível.

Como é de se esperar, o “direct driver” apresenta também desvantagens, sendo a principal delas o fato de agregar mais peso ao “cabeçote” da impressora 3D, tornando-a naturalmente mais lenta que as impressoras com “bowden”. No entanto, o assunto central aqui é a qualidade das impressões, ficando a velocidade de impressão em segundo plano conforme esta abordagem.

É claro que, apesar das vantagens e desvantagens de cada tipo de impressora, o mandatório para garantir uma impressão “lisa” e de qualidade vai além da construção da impressora, ou do fato se a mesa de impressão desce, anda para frente e para trás, se o motorzinho fica no cabeçote ou atrás. O fator crucial para obter uma ótima impressão é o conjunto de configurações entre velocidade de impressão, altura da camada, velocidade e distância da retração, ausência ou presença do cooler, bem como sua velocidade de trabalho, entre outros fatores.

Dado que cada impressora, materiais e lotes de filamento são diferentes, o melhor caminho para chegar em uma ótima impressão é a experimentação, a tentativa e o erro, as trocas de experiências e as visitas ao caderninho de anotações. Em suma, obter uma impressora de qualidade tem mais a ver com a perspicácia do impressora que com o preço da impressora.

Por Luiz Henrique Okusu

Print Factory

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