O pessoal da Car Design HUE compartilhou um vídeo brilhante sobre o que é o CALTY, e eu recomendo muito que vocês assistam. Primeiro, conta uma breve história da Toyota nos Estados Unidos. Segundo, conta uma breve visão do processo de criação e design automotivo. Terceiro, tem uma impressora 3D lá, isto é, demonstra a importância do CLAY nos dias de hoje, e da forma obsessiva que a Toyota treina seus designers para manipular o CLAY.

Vale muito ver o vídeo, e vale anda mais conhecer a página da CAR DESIGN HUE.


Como é o processo de criação de algo, do zero? (spoiler: não existe "do zero").

Agora vemos no vídeo a criação de carros fantásticos, que fizeram sua história no mercado norte-americano, mas como fazemos para criar? Já debatemos:

1) Não basta apenas admirar a distância criadores de conteúdo
2) Precisamos nos atentar às preferências culturais locais e globais (dá um pouco de medo, né?)
3 e 4) Cuidado com seu tempo! Localize o seu tempo mais produtivo, gerencie o seu tempo para protegê-lo!

Bom, Wallace, garoto genial mas pobre e negro, tem sua vida tornada de ponta cabeça quando encontra com Forrester, um escritor do passado, que teve um sucesso absoluto com o livro Landing Neverland, e então sumiu numa vida de reclusão e nunca mais foi visto por ninguém. Em meio à pressão de se manter na escola privada com bolsa para jogar basquete, o que gosta, mas terminaria por matar sua veia de escritor, Wallace entre m pânico, o chamado Bloqueio Criativo. No filme Finding Forrester (numa sessão da tarde perto de você), Sean Connery faz Forrester, o escritor famoso e escondido, dá o melhor conselho do mundo para alguém que quer criar: comece copiando algo, e então vá mudando.

O vídeo da CALTY também nos mostra quantos, tantos desenhos, são necessários para se refinar uma ideia. Não dá para ter tudo certo de primeira. E há que se mudar, com novos ângulos e pontos de vista, para atingir um resultado perfeito.

Justamente pensando nisso, o livro Um toc na Cuca, infelizmente fora de catálogo no Brasil, brilhantemente apresenta uma lista óbvia, mas muito, muito boa, de como mudar seu ponto de vista. São ferramentas básicas do criador, do inovador, de quem quer fazer algo, e tudo inicia-se com: olhe de forma diferente coisas que você já conhece bem!

Mas se é tão simples ser criativo, por que tão poucos somos? Primeiro: preconceito. Cursos de criatividade, atividades didáticas para esse fim, artigos sobre esse tema, em geral, são como estudar astrologia aos olhos dos outros. Criatividade, como já discutimos, é vista como algo esotérico, fazer algo sem bases reais, exatas, para medir resultados.

O segundo motivo, nossas escolas. Como o próprio livro Um toc na cuca pontua: somos educados para ter a "resposta certa", não arriscar formas diferentes de dar respostas, não pensar de formas diferentes que aquela que é fácil de corrigir. Provas de gabarito então? Como ser criativo com só uma em quatro alternativas correta?


O livro em si trás uma lista brilhante, e absurdamente óbvia:

  • Vá e volte por caminhos diferentes ao trabalho;
  • Almoce em locais diferentes;
  • Faça associações livres (de filmes com livros, de músicas com filmes)
  • Lembre-se que boa parte dos nossos problemas são resolvidos durante nosso repouso;
  • Faça cursos novos, de coisas novas, sem se preocupar com aplicações práticas agora;
  • Comece a copiar um desenho e termine-o à sua maneira;
  • Copie o início de um conto que não tenha lido, termine-o da sua maneira, escrevendo-o, e então veja a solução original do autor;
  • Vá a museus, mas com um guia, entenda o que o autor das obras quis expressar.


Por isso, como lição dessa semana, se é que posso passar lição, é: siga as seguinte orientações, para iniciar na jornada da criatividade:

O programa Whose Line is it anyway tem uma sessão que foi copiada pelos Barbixas e pelo programada da Mtv, quando ela era aberta, chamada Quinta Categoria, e que vagamente lembrava um quadro do Caceta & Planeta: pegar produtos ordinários e fazer uma propaganda estilo polyshop desse produto, mas com outra função, obrigatoriamente, diferente da original. Como fazer a propaganda de um grampeador, como se fosse um aparelho de ginástica para mãos. Imagine produtos assim da sua mesa.

Se quiser, veja esse vídeo, e faça num encontro com a família num final de semana, sua própria terapia criativa em grupo:



Literatura recomendada: Um toc na cuca. (meio que obrigatória).