Manufatura 4.0 a revolução do PLM


Muitas pessoas me perguntam sobre a manufatura 4.0, ou como ela é melhor, pior ou diferente do conceito do PLM - Product Life-Cycle Management.

A Manufatura 4.0 se baseia em dois conceitos simples: Ser uma integração do ambiente cyberphisical, ou seja, o que é projetado no ambiente digital, afeta o ambiente físico, uma peça desenha no CATIA, já pode ter uma base de custo com base em produtos anteriores, já serve de base para a documentação 2D ou 3D para documentação, com gestão dos requerimentos, programação das máquinas realizadas automaticamente, planejamento logístico e acompanhamento do produto.



O segundo conceito, é a integração das ferramentas que a empresa utiliza. Veja, por mais que o PLM prometa integração com CRM, SCM, ERP, os dados sempre foram duplicados, inseridos manual, complementados. Para compreender melhor essa dificuldade, é preciso revisar o BOM, Bill of Material, lista de materiais da qual uma peça está feita:

Um projeto de um motor, por exemplo, é realizado totalmente no CAD, sejam produtos realmente produzidos pela empresa, como o bloco, pistões, virabrequim, e sejam componentes que são comprados fora da empresa, como junta de cabeçote, filtros, mangueiras, tubos e cabos da parte elétrica, motor de partida e baterias. Esse conjunto de componentes ficam na árvore de arquivos, relacionados lado a lado, sem um aviso claro a um olhar leigo, sobre o que a empresa de fato fabrica e pode alterar, e o que a empresa compra fora, e não tem poder de alteração. Esse é o chamado Design-BOM.

Logo parte dos componentes serão enviados para o departamento de compras, e outra parte, para a área de manufatura. Esses componentes gerarão duas listas de peças, a mBOM - Manufacture BOM, ou lista de produção e a eBOM - a lista eletrônica de componentes. Parte dessas peças vão para o SAP, para compras, controle de estoque, geração automática, através de gatilhos (como um determinado número de peças no estoque) para acionar nova compra. E parte desse produtos ainda vão gerar folhas de processo, programação dos centros de usinagem, programação dos robôs, instruções de montagem, armazenagem e virar um item de estoque, que também será controlado pelo SAP, em um novo BOM consolidado, e agora com um part number que será usado para comercializá-lo, seja no motor montado, seja como peças de reposição.

Como você pode imaginar, se a empresa faz mais de um motor, com mais de um fornecedor de filtros, abrigos de filtros, juntas, óleos e fornece para mais de um cliente, a confusão é fácil de se instalar. Cada departamento no final do mês precisa parar e revisar os dados em seus próprios sistemas, GED (Gerenciadores eletrônicos de documentos) na engenharia, SAP na área financeira e compras, MES (Manufacturing Execution System). Além de cada um controlar modificações, alterações, melhorias e mudanças de família.

A Manufatura 4.0 não vem mais apenas para integrar e controlar essas integrações, como fazia o PLM, ela vem com um novo layer de software, que faz o sincronismo constante, simultâneo, entre todos e cada um desses departamentos. Na Dassault, isso é chamado de 3DExperience, uma plataforma que faz a integração dinâmica, entre todos esses softwares e plataformas, a cada estágio, e que cria uma única fonte da verdade, à partir do momento que cada departamento e cada pessoa, acessa a um mesmo banco de dados, evitando arquivos voando de um lado para o outro em PDF's, STP's, IGE's, em cópias que podem ficar desatualizadas, sem controle ou sigilosidade.

Manufatura 4.0 é na verdade, muito mais que isso até, mas isso é um dos pilares da tecnologia, uma única fonte da verdade. Um detalhe: quando tudo isso está em uso, cada departamento continuará acessando sua versão do BOM do produto, no nosso exemplo ali de cima, mas eles já não vão mais se importar com "onde esta o dado", "qual a última versão", "avisem o financeiro que o produto XPTO mudou", agora eles atuam num novo conceito, um único BOM: o BOM Holístico.

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