A Estratégia da Genialidade

A estratégia da Genialidade, de Robert Dilts, Volume I, 1998, publicado no Brasil pela Summus Editora.DILTS, Robert; [2]STRATEGIES OF GENIUS, 1998.

Livro disponível para leitura no Google Books.

O livro faz uma aplicação de PNL - Programação NeuroLinguística sobre a metodologia de criatividade e invenção de alguns gênios, interpretando através de sua próprias cartas seus relatos criativos.






A primeira abordagem que achei fantástica do autor foi sua teoria da Auto-organização: como que por de trás de um sistema caótico, quando diversas etapas precisam ser empregadas deste sistema, uma ordem parece surgir dele espontaneamente, ao invés de um caos ainda maior. Esta teoria não é novidade, vimos no blog em ”Time Management for Creative People”, onde o autor cita de outro livro, sobre como para a criatividade funcionar diversos gatilhos emocionais são necessários, e por vezes o que parece exagero e tiques nervosos de artistas são de fato, apenas processos criativos mapeáveis, como uma escritora que para materializar sua novela, saía às 4 da manhã de casa e rumava para um hotel, onde ela solicitava que no quarto que alugava fosse retirado todos quadros e enfeites das paredes, deixando-a só com a cama, a escrivaninha, a bíblia, e algumas balas de cereja. Ou outro autor que colocava maças podres sobre sua mesa para escrever seus poemas.

A teoria da ”auto-organização” é o processo de formação de ordem em sistemas dinâmicos com- plexos. Paradoxalmente, ela surgiu a partir do caos. Os cientistas que estudavam os caos (a ausência da ordem) observaram que quando um número suficiente de elementos interagindo de maneira complexa eram reunidos, ao in’ves de criar o caos, a ordem parecia formar-se ”espontaneamente” como resultado dessa interação.

Sobre Mozart:


Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em 1756 e morreu em 1791 e sempre está relacionado à genialidade. Não por acaso, a forma com que tocava dois instrumentos com genialidade antes de eleger apenas 1, pois dizia, ninguém pode ser perfeito dedicando-se à duas frentes ao mesmo tempo, e abandonando o violino. A forma com que compôs uma peça enquanto jogava bilhar ou escreveu uma peça apenas duas horas antes de tocá-la...

Sobre sua carta:

Quando consigo ser completamente eu mesmo, quando estou sozinho e de bom humor - por exemplo, ao viajar de carruagem, ou ao caminhar depois de uma boa refeição ou durante a noite quando não consigo dormir, nessas ocasiões as minhas idéias fluem melhor e de maneira mais abundante. De onde e como elas vêm, eu não sei; tampouco posso forçá-las. Retenho na memória os prazeres que me agradam, e normalmente, como já disseram que faço, cantarolo-os para mim mesmo.

E. Holmes, The Life of Mozart Including His Correspondece, Chapman & Hall, 1878, pp 211-213

Se eu continuar desta maneira, passo a pensar de que forma posso transformar este pedaço, para fazer dele um bom prato, digamos assim, adapatado às regras de contraponto, às peculiaridades dos vários momentos. (...) Tudo isso incendeia minha alma e, se eu não for perturbado, o tema amplia-se, torna-se metodizado e definido e o conjunto, embora longo, aparece quase que completo e acabado na minha mente - assim, posso supervisioná-lo, como a um lindo quadro ou uma bela estátua, com um único olhar. Tampouco escuto em imaginação as partes sucessivamente, mas as ouço como se fossem algo único, de uma só vez (gleich alles zusammen). Mal posso descrever a delícia que é! Toda esta invenção, esta produção, ocorre em um sonho prazerosamente concreto. Ainda assim, a audição real do conjunto é, sem dúvida, o que há de melhor.

(...)

Não esqueço com facilidade o que foi assim produzido e este é talvez o melhor presente pelo qual tenho de agradecer ao meu divino criador.

(...)
Quando eu passo a escrever as minhas idéias, tiro do bolso da minha memória, se posso me expressar assim, o que havia sido ali reunido previamente, da forma como mencionei anterior- mente. Por esta razão a escrita no papel é feita rapidamente, pois tudo está, como já disse antes, feito; e raramente difere no papel daqueilo que existia na minha imaginação. Neste estágio, posso ser interrompido; pois haja o que houver ao meu redor, ainda continuo a escrever, e até conversar, mas apenas de coisas anódinas, ou de Gretel ou Barbel ou de coisas parecidas.
(...)

Para uma detalhada interpretação da carta, bem como uma compreensão de outros gênios criativos eu realmente recomento a aquisição do livro, feito em linguagem simples, objetiva e muito elucidativa. Parabéns ao autor e ao tradutor, por manter o clima do texto.

http://books.google.com.br/books?id=D5PoMb7T9lIC&printsec=frontcover#v=onepage&q=&f=true

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