A matemática e a filosofia

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A matemática e a filosofia são ciências irmãs, destas que andavam de vestidinhos iguais como gêmeas de filmes de terror, mas que em algum momento brigaram entre sí e foram obrigadas pela madrasta, o MEC, a sentarem-se em bancos separados. Se hoje é difícil compreender aqueles que elejam as puras por ser considerado predestinado a serem professores, ou ainda, matérias inúteis ou pouco práticas, um dia elas foram indissociadas.



No passado os grandes pensadores, Aristóteles de Estagira, Platão de Atenas, Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eléia eram pensadores, tri-atletas, astrônomos e donos de bibliotecas sem preços e precedentes à sua era, e ainda que parecesse pouco o conhecimento para seus estudos para sua época, muito eles descobriam e escreviam, para que as gerações futuras pudessem estudar melhor suas conclusões, ou seja, se não havia internet, tão pouco máquinas de escrever ou impressoras, os livros eram impressos e finamente trabalhados à mão, um a um.

E como eles conseguiam fazer tanta coisa, serem tantas pessoas? É simples, eles não sabiam que cada uma destas coisas era uma matéria diferente. A Mathesys vem do grego e significa natureza, e tudo que eles faziam era a auto-proclamada ciência da observação da natureza, observar como corre um gota d’água sobre uma folha de samambaia, as colméias das abelhas ou a forma da curva do ovo. A filosofia e a observação do mundo ao nosso redor eram atividades co-relacionadas, indissociáveis. Mas então buscamos analisar, classificar e dividir as ciências por estudos. Veja a história de uma região, mas só estude sua geografia depois, veja equações e fórmulas, mas para que servem, um dia talvez alguém lhe conte.

A boa notícia é que não é de hoje que estragamos os estudos ao dividi-los da sua forma mais básica de conhecimento, a forma como a mente pensa. Em 1606 ingressou no colégio La Flèche um francês chamado Renè, e vejam o que ele escreveu em seu livro:

Fui nutrido nas letras desde a infância, e por me haver persuadido de que, por meio delas, se podia adquirir um conhecimento claro e seguro de tudo o que é útil à vida, sentia extraordinário desejo de aprendê-las. Mas, logo que terminei todo esse curso de estudos, ao cabo do qual se costuma ser recebido na classe dos doutos, mudei inteiramente de opinião. Pois me achava enleado de tantas dúvidas e erros, que me parecia não haver obtido outro proveito, procurando instruir-me, senão o de ter descoberto cada vez mais a minha ignorância. E, no entanto, estivera numa das célebres escolas da Europa, onde pensava que deviam existir homens sapientes, se é que existiam em algum lugar da Terra.

Um professor meu ainda costumava criticar as traduções (tradução é traição, era seu lema), dizendo que sobre este parágrafo podia-se dizer: ”mesmo tomando sopa de letrinhas desde criancinha...”.

Mas o fato é que as ciências, ou o quer que seja, quando desprovidas de seu contexto, perdem completamente seu sentido, e era isso que eu queria dizer, ao estar estudando Antropologia Teológica em meu curso de Tecnologia da Informação, como parte da cadeira de humanas, e adorando...

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