Desafios do mercado brasileiro de impressoras 3D

Apesar das impressoras 3D terem chegado a valores nunca antes tais, principalmente em comparação com o ano de 2000 quando comecei a trabalhar com isso, na Sisgraph, que a máquina custava 60.000 dólares a mais barata, e hoje custa 16.000 reais uma MakerBot já bastante competente, não dá para ignorar o fato que 16.000 reais é muito mais que um Gol bolinha, 1999.

Com esse valor na medida exata do acessível à novos negócios, mas cara para o cidadão comum que trabalha 8 meses só para pagar impostos ao governo (hoje eu ouvi que o empresário chega a trabalhar 13 meses para pagar impostos), e nesse cenário a coisa mais lógica é a proliferação de prestação de serviços, bureaus ou centros de prestação como FabLabs, e ai surge a dúvida de quem quer se aventurar: como está esse mercado hoje em dia?

Os desafios para a prestação de serviços no país são dois basicamente: educar o público que a tecnologia existe (você ficaria surpreso com o número de pessoas que ainda não conhecem essa ferramenta), e alinhas expectativas entre o público que conhece a ferramenta, mas não sabe bem na prática o que vai receber.

Isso não é necessariamente ruim: agregar valor por modelar o arquivo a ser impresso é uma parte importante do negócio hoje em dia, ainda que desenhar do 2D para o 3D esteja se tornando assustadoramente simples, como demonstra o GIF abaixo:

Assim, aprender a modelar no Google Sketchup ou no TinkerCAD pode trazer imenso benefício para seu negócio. Quando fui à Minnesota, por conta de um treinamento, em 2014, conheci uma revenda com o mesmo tempo de mercado que a LWT tinha na época, mas enquanto a LWT tinha vendido 13 máquinas no seu ano de debute, essa revenda de New Jersey, e que só podia vender para New Jersey, por conta de territórios, tinha vendido mais de 400 máquinas.

O rapaz até se surpreendeu com nosso número, e me perguntou: Mas não tem escritório de arquitetura ou empresas que dão consultoria e criação de design no seu país? E eu respondi: ter, tem, mas eles não usam 3D... Na verdade dessas 400 máquinas, a maior parte eram Stratasys Mojo, máquina excelente, mas a mais barata do portfólio da Stratasys, apenas 6000 dólares, e o público alvo? Escritórios de design, que fazem chaveiros, brindes personalizados e coisas assim.

No Brasil o máximo que chegamos desse mercado alvo são plantas 2D jogadas pelas janelas de nossos carros nos finais de semana, com renders bonitos, e escritórios de design que usam marcadores 2D e Photoshops para colocar o logo da sua empresa em algum brinde genérico feito na China.

Se por um lado isso é um problema para que a empresa que eu estou consiga vender máquinas, por outro, é o encontro perfeito de um mercado que quer criar diferenciais para vencer a crise, preferencialmente contornando o dólar instável, que pagaria alegremente não só a impressão 3D, mas a consultoria de modelagem também.

A nossa Mojo ainda está na promoção, quer falar à respeito?  11 3232-0532.

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