Overthinking: Print the Legend - Documentário Netflix


O documentário exclusivamente exibido pelo Netflix mostra o universo da impressão 3D, não desde sua origem, mas desde a origem dos filhos das impressoras 3D, os equipamentos open-source, mais especificamente as máquinas MakerBot e FormLab, respectivamente, derivadas de processos da Stratasys e da 3DSystems.

Da criação numa garagem com três ou quatro funcionários, à revolução de duas empresas que se formaram empresas milionárias, com maior sorte à MakerBot que acabou se fundindo à Stratasys, e deu um salto para uma empresa gigante. Mas o filme também revela a outra face desse salto, a forma como a MakerBot e seu fundador foram mudando, do perfil de uma empresa aberta e acessível, e de software aberto, para uma empresa cada vez mais fechada, corporativa e dando às costas ao mesmo público que a formou.

Afinal, Bre Pattis é um herói ou um vilão? Por que não citar Guardiões da Galáxia e afirmar, a little bit of both?

Bre Pattis, o rosto por trás da MakerBot é um herói, pelo seu entusiasmos contagiante e cativante, e a forma como fez da empresa algo que saiu de uma garagem para as capas da Wired, Times, Fox e tantos outros canais, ele foi pessoalmente, um dos maiores divulgadores da impressão 3D e da revolução que ela permite. Uniu uma comunidade ao redor da empresa e a viu crescer como marca, além do próprio produto, a MakerBot logo era uma filosofia de trabalho.

Mas o que o faz vilão foi dar as costas à comunidade Open-Source, sem devolver o conteúdo que eles ajudaram a criar, e fechar o software, o hardware e cada vez mais, encapsular a impressão 3D num processo gerenciado de ponta a ponta pela empresa. A venda da startup para uma multinacional, a mudança de postura com a filosofia de software e suas impressoras cada vez mais bonitas e também mais caras e mais limitadas soaram como uma Apple-dificação da empresa. E por isso a comunidade não o perdoa.

Agora, num olhar externo, Bre sabia que a única forma da sua empresa sair do status de moda de verão e passar a ser algo permanente, além dele próprio, era tornando o hobby uma empresa de verdade, com processos gerenciais, com lucros tangíveis, com possibilidades de novos negócios, e quando ele chegou a essa encruzilhada, manter-se na hype ou virar algo permanente, através do amparo de ter uma empresa por trás, ele tomou a decisão corporativa, e na minha humilde visão, fez certo.

Aqui no Brasil nós tivemos nossa própria de MakerBot, a empresa Metamáquina, criada por pessoas idealistas, com foco no software aberto, focada numa máquina barata e que fosse totalmente aberta, e a empresa não deu tão certo...

Software complexo, hardware frágil e difícil de calibrar ao usuário leigo, a máquina colecionou mais desavenças que fãs, entre o grande público, afinal, para os novatos no mercado, a oferta era tentadora, uma impressora 3D nacional, barata, com suporte e fabricação aqui... Os fundadores chegaram a ir ao The Noite com o Danilo Gentille falar da máquina...


Mas ao se depararem com a máquina, eles não queriam a bagagem filosófica, eles queriam usar  a impressora e pronto. Ainda houveram outros problemas, como uma demanda maior que a oferta, atrasos, dificuldade em criar um serviço de suporte ao usuário, e uma exclente ideia e produto, acabaram por esfriar. E o resultado, a empresa se converteu numa empresa de serviços e está estudando como voltar ao mercado. Ainda vendem algo aqui e serviços ali.

Talvez, se a Bre Pattis tivesse mantido sua filosofia de ser uma empresa de se trabalhar de bermuda, com software aberto e uma política igual à de sua fundação, a MakerBot teria tido o mesmo fim que a Metamaquina?

E você? Viu o filme/documentário? Para você, Bre Pattis é herói ou vilão?


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