Do sucateamento do mercado eletrônico


Quem viveu uma vida consciente, à partir do ano de 2001 viu a queda da Argentina, viu a transformação de um dos países mais avançados economicamente da América Latina num país falido. Claro que a transformação não foi do dia para a noite. Ainda em 2006 quando fui para lá pela primeira vez, o país ainda tinha belíssimas Apple Store (a de Porto Madero era mais barata que qualquer loja do Brasil). Eles tinham ainda uma Palm Store!

Mas vagarosamente, os lançamentos foram parando de chegar ao país, conforme o país empobrecia, aparelhos cada vez mais baratos eram os lançamentos, e logo as lojas próprias sumiram, dando lugar a um mercado de usados, e um restrito mercado de importados. Até o sucateamento total da tecnologia do país. Veja bem, eles ainda tem mais pontos de WiFi que o nosso país, em bares, restaurantes e até mesmo em lugares públicos, e raramente eles estão sem funcionar, bastante diferente de nosso país, que onde tem, não funciona.

Mas o que vivemos agora, no início de 2006 não deixa de ser preocupante. Estamos vendo um Brasil que tem um crescimento acelerado do mercado de usados, lojas tradicionais da WEB estão lançando suas páginas de usados. Estamos vendo que a recente MWC que aconteceu em Barcelona, e apresentou um sem fim de lançamentos, e nenhum, nenhum deles, com data de lançamento no Brasil.

O mercado de bens de consumo de alto e médio valor é um dos termômetros mais importantes de um país, pois ele revela o poder aquisitivo da nação e o grau de investimento do povo. Geralmente o primeiro a ser atingido são os produtos de alto valor, como automóveis, linha branca e bens de consumo pessoais. Pois aqui estamos, no terceiro estágio de um empobrecimento no nosso poder de compra. 

Isso é um problema mais grave do que parece, contudo. Nosso país tem seu acesso à internet prioritariamente por dispositivos móveis. Foi um salto no processo de alfabetização digital conseguido graças ao momento econômico do nosso país no passado, alinhado à Lei do Bem, que barateava produtos feitos no país, e alinhada com alta demanda do mercado, que trazia mais empresas para o país e puxava os preços para baixo.

Hoje, esse encarecimento do mercado de consumo não apenas priva a maioria da população do acesso à internet através de dispositivos baratos, mas priva o povo de informação, de saber. Enquanto o Facebook busca ofertar internet grátis ao redor do mundo, e o Google tem o projeto de internet para todos, o Brasil, com menos empresas no setor, faz o oposto, leva o conceito de limite de banda da rede móvel para a rede física, encarece seus planos alegando custos de amplianção da estrutura, enquanto sabemos na prática e por depoimentos de quem já saiu do país que temos uma das piores coberturas de rede do mundo (e mais caras).

Quando o preço dos aparelhos celulares e tablets sobe, vemos alguns celebrando que a classe rica esta"chorando por que não podem ter o novo iPhone", mas esquecemos do quanto esses termometros são ruins, especialmente para quem esta mais embaixo da escala aquisitiva.

Já ano que vem, o Whatsapp deixa de dar suporte ao Android 2.0, 2.1, 2,2, Windows Phone 7, todos os blackberry e todos os Symbian S40 e S60. Uma parcela enorme da população vai perder uma ferramenta tremenda de comunicação, sem poder trocar de telefone, mas rindo dos ricos que ficaram sem iPhone 6. A Microsoft através de seu agente autorizado anunciou o fechamento de 27 lojas próprias, numa época que o resto do mundo vê uma expanção sem precedentes da marca.

No final do dia, é de se pensar, a quem interessa que a internet e os meios de comunicação em massa e não auditados sejam cada vez mais difíceis de se acessar... 

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